ABISEMI tem nova Presidência

O engenheiro Rogério Nunes, presidente da SMART Modular Technologies, assumiu no dia 1° de setembro a Presidência da Associação Brasileira da Indústria de Semicondutores (ABISEMI) para o biênio 2017-2019, com o desafio de alavancar novas oportunidades de negócios e aumentar a presença da indústria brasileira de semicondutores no mercado mundial. A missão à frente da ABISEMI será compartilhada com a vice-presidente Edelweis Ritt e com os diretores Alex Melo e Rosana Casais, representantes da Unitec Semicondutores, Multilaser Componentes e HT Micron, respectivamente.

Hoje, aproximadamente duas dezenas de empresas estão em operação no Brasil e oferecem ao mercado produtos e serviços de elevado valor agregado, atuando no design, na difusão dos wafers e no encapsulamento e teste de circuitos integrados. “Os semicondutores são a base para o desenvolvimento da indústria eletroeletrônica, os principais componentes dos atuais TIC’s e o futuro da indústria de alta tecnologia”, enfatizou Nunes.

Ele avalia, no entanto, que frente ao seu potencial, ainda é baixa a participação do mercado brasileiro no comércio internacional de semicondutores, pois corresponde a apenas 0,2% do faturamento da indústria mundial, que foi da ordem de US$ 340 bilhões em 2016.

Apesar da baixa inserção, os produtos de empresas brasileiras que realizam o encapsulamento de dispositivos semicondutores de memória já foram qualificados pelos mais importantes fabricantes da indústria de TICs mundiais, e equipam grande parcela dos computadores, servidores, tablets, smartphones, televisores e outros inúmeros equipamentos eletrônicos fabricados no Brasil.

De acordo com o novo presidente da ABISEMI, essa participação já contribuiu para a redução do déficit da balança comercial brasileira do setor de eletroeletrônicos que atualmente é de US$ 3,4 bilhões apenas para componentes semicondutores em 2016, conforme dados da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (ABINEE). “Esse número já apresenta significativa melhoria, se comparado ao déficit de US$ 5,2 bilhões registrado em 2013”, disse Nunes.

Outro desafio da nova gestão se dará na implementação de adequações às políticas industriais que se relacionam com o setor, como a Lei de Informática e o PADIS (Programa de Apoio ao Desenvolvimento Tecnológico da Indústria de Semicondutores). Essas adequações foram impostas pela Organização Mundial do Comércio (OMC) como resultado do contencioso iniciado pela União Europeia e pelo Japão, contra diversos programas de incentivo à indústria criados pelo governo federal.

O PADIS é o principal programa de estímulo ao setor de semicondutores brasileiro e beneficia a maioria das empresas em operação no país. Já a Lei de Informática, vigente desde a década de 1990, foi a responsável pela formação do parque industrial de bens de informática de alta tecnologia no Brasil. Ao mesmo tempo em que contribui para a inserção da indústria de semicondutores na cadeia de valor da indústria de bens finais de microinformática e telecomunicações, é a responsável por investimentos anuais em Pesquisa & Desenvolvimento próximos de R$ 1,5 bi.

Rogério Nunes lembrou que 49 das maiores empresas de tecnologia do mundo estão instaladas no País e que a manutenção de um ambiente favorável é condição essencial para a continuidade do parque industrial hoje existente e, também, para a sobrevivência de uma indústria alinhada tecnologicamente com o que há de mais avançado em todo o mundo, inclusive em matéria de semicondutores.

Lei de Informática
Segundo dados do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, as empresas beneficiadas com a Lei de Informática tiveram um faturamento total de R$ 107,52 bilhões em 2016. Desse valor, R$ 46,7 bilhões foram relacionados a bens incentivados, dos quais R$ 7,4 bilhões são oriundos de produtos desenvolvidos com tecnologia nacional.

Como resultado, a geração de riqueza no País decorrente da atividade produtiva induzida pela Lei de Informática foi da ordem de R$ 60,82 bilhões no mesmo ano. Além disso, muito em razão da Lei de Informática, o setor empregou diretamente cerca de 135 mil profissionais em 2016. Já os empregos diretos e indiretos gerados apenas na aplicação das obrigações de P&D somavam 17.654 pessoas, com atuação direta na geração de conhecimento tecnológico para o país.

A ABISEMI
Com sede em Brasília, a ABISEMI (www.abisemi.org.br) congrega as principais empresas de manufatura de semicondutores do País. A entidade foi fundada em 2014 por quatro empresas: SMART Modular Technologies, de São Paulo, CEITEC S/A e HT Micron, ambas do Rio Grande do Sul, e da Unitec Semicondutores, de Minas Gerais. Atualmente, a Cal-Comp S/A, de Manaus, a Multilaser Componentes, também de Minas Gerais, e a Adata, de São Paulo, completam os quadros associativos da ABISEMI.

Para permitir capacitação e intercâmbio de conhecimento constantes, renomadas instituições de ensino, pesquisa e desenvolvimento integram a ABISEMI, como a Unisinos, a design house DFChip, vinculada à Universidade de Brasília (UnB), o Laboratório de Sistemas Integráveis Tecnológicos (LSI-TEC), vinculado à Poli-USP, e o Csem Brasil, de Minas Gerais.