Coluna Em Dia - Política e matemática

A matemática é uma ciência na qual discussões se limitam a escolher uma ferramenta e chegar a um resultado correto. Em política, o assunto é outro, com nuances subjetivas, onde filosofia, ideologia, economia e outras ciências influenciam a ação humana. A vida em sociedade, num planeta que mostra seus limites, exige sistemas sustentáveis que atendam às necessidades de todos, cada um preocupado com o seu próprio bem-estar.

Uma boa política é fundamental para direcionar a sociedade. Ela deve, no entanto, respeitar alguns princípios da matemática para não falhar.

Um exemplo é faltarem R$ 170 bilhões, este ano, para equilibrar as despesas do Estado brasileiro. Alguém errou a conta em um passado recente tentando implementar políticas não sustentáveis. Quando o recurso falta no governo federal, falta também nos estados e nos municípios.

De todos os recursos produzidos por quem trabalha no país, 40% são entregues ao Estado na forma de impostos. Mesmo assim, são insuficientes. Nossa Constituição definiu políticas que não se sustentam, e isto começa a aparecer numa crise cuja solução vai ter de restaurar uma solução matemática correta nas contas do país. A máquina pública construída simplesmente não pode ser paga por quem produz. Nossa pirâmide etária aponta mais gente se aposentando e menos gente trabalhando para pagar a conta.

A discussão política é extensa e passa por aspectos como direito adquirido, justiça com os mais velhos, e vários argumentos saudáveis. No entanto, a máquina mostra que não haverá recursos, em breve, para honrar o que algum dia foi implantado. A solução de aumentar a carga tributária é insustentável. Aumentar a carga no setor produtivo significa diminuir a produtividade, é algo como apertar um parafuso que perde a rosca e dica dando voltas se avançar. A única solução é matemática: calcular que montante de benefícios a sociedade pode despender no intuito de implantar políticas que tenham um mínimo de responsabilidade com a sustentabilidade de uma nação que possa realmente se desenvolver como o trabalho de todos.

Felizzola escreve a coluna EM DIA, em Zero Hora, às terças-feiras, a cada 15 dias.