Coluna Em Dia - Reforma na política o quanto antes

Aos poucos, parece que a sociedade vai se dando conta do que realmente está acontecendo no Brasil. Percebe-se isto pela evolução dos debates nas redes sociais, nos artigos de jornais e revistas e em momentos de debate na mídia de rádio e TV. A causa de tudo começa a aflorar e a solução do problema não é simples.

Nosso país, talvez por sua juventude ou história de colonização, enfrenta o fato de estar vivendo consequências da fraqueza de seu processo educacional e do seu rápido crescimento populacional num período atribulado – entre os anos 70 e os dias de hoje. O Brasil cresceu sem liderança, sem rumo e sem convicções. A cultura religiosa e a vontade de resolver problemas sociais sempre a partir do Estado (o “criador de riquezas”) gerou uma casta de políticos representantes de um povo que não define o que quer. Crescemos discutindo a guerra fria entre jovens iludidos e isolados do mundo real, encantados com hinos distorcidos, provenientes de experiências utópicas oriundas de lugares nunca visitados. Perdemos muito tempo discutindo ideias estúpidas. Após a ditadura militar, permitimos que uma casta dita democrática escrevesse uma Constituição revanchista e em causa própria. Os políticos fizeram as regras para os políticos, e não para os brasileiros. Prova é que uma “Lava a jato” bem sucedida condenou, até agora, somente um político. Os outros escapam-se pelos labirintos jurídicos que os tornam verdadeiros deuses da impunidade. 

É notável a cara de pau de alguns deles, indignados com o processo que os aponta como larápios, simplesmente ocupando postos chave no país. É fundamental uma reforma que crie uma verdadeira representatividade e que restabeleça uma ordem política sadia e conectada com o desenvolvimento da sociedade e não com o estágio mórbido onde os meios são mais importantes que os fins. Comparem-se partidos e empresas: os primeiros são meios de disputa democrática, já as empresas são as verdadeiras máquinas de fazer riqueza e sustentar a sociedade, o verdadeiro fim de um povo saudável. Sem a preocupação de se ver quem é mais importante, deveríamos saber construir estas organizações de forma a poder sobreviver como nação com certo orgulho na política e eficácia na economia.

Felizzola escreve a coluna EM DIA, em Zero Hora, às terças-feiras, a cada 15 dias.